quinta-feira, 2 de março de 2017
Mais uma despedida: Novais
O Caetité em Revista não poderia deixar de reportar mais uma passagem de figura querida: o amigo Novais nos deixou, hoje, quinta-feira (2/3/2017)...
Com ele tivemos muitos papos, lembranças de uma Caetité que testemunhou, presença constante na Praça da Catedral que, agora, fica cada vez mais vazia com a ausência de nosso querido Novais... O "dedo de prosa" no banquinho da frente da casa de Monsenhor, na varanda de Bu, deixa de ter o mesmo encanto...
Pacato, discreto, o filho de Seu Leobino Novais era conhecido pelo sobrenome, foi um exemplo de simplicidade e cordialidade, parte de uma família que deixou sua marca na cidade e agora, enlutada, chora como nós essa despedida.
Faleceu em Salvador, onde não resistiu ao tratamento que fazia para o coração.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Adeus ao amigo Rômulo Junqueira
Parece incrível como a vida nos faz lembrar que a morte não
é algo distante. Sobretudo quando vemos uma família ter separado do seu convívio,
de forma prematura e abrupta, alguém tão querido, como neste triste domingo dia
26 de fevereiro de 2017...
Rômulo era meu vizinho, o que tinha a idade mais próxima da
minha. E sempre que nos encontrávamos, a prosa rendia...
Um dos sonhos que tive para minha terra foi o de um dia
valorizarmos a cachaça produzida em Santa Luzia. Foi uma ideia que com o tempo
ganhou corpo até vir a se concretizar numa associação, cujo nome e estatuto preparamos
com muita esperança: a Aprocana. Quis o destino fosse ele, Rômulo, seu primeiro
presidente. E a esperança era sua bandeira. Batalhou muito, remando contra a
maré dos que ainda ganham com o atraso.
Lembro-me das coisas muitas vezes absurdas que ele enfrentara,
à frente da Associação, e que me contava com riqueza de detalhes. Ganhara, ali,
experiência e conhecimento que nunca foram completamente aproveitados... O
sonho do coletivo demora a dar frutos, num mundo tão imediatista, tão
individualista...
Seu entusiasmo com a festa do 2 de Julho se concretizou no
grupo de montaria que hoje, quando nos despedimos dele de forma definitiva,
estava presente na sua despedida...
Hoje a Palmeira, Santa Luzia, Caetité enfim, despediu-se de uma
pessoa séria e honrada. Perdemos um batalhador que ousou pegar um sonho e fazer
dele sua bandeira.
Adeus, amigo. Que Deus conforte seus familiares, e que sua
vida inspire quantos te conheceram.
sábado, 25 de fevereiro de 2017
Os chineses chegam a Caetité
Hoje o Caetité em Revista analisará a visita da comitiva
liderada pelo Embaixador da República Popular da China, Li Jinzhang
(que, conforme a boa pronúncia do mandarim, se diz Li Zizang),
com vários empresários e o vice-governador João Leão, os bastidores e o que
isto realmente significa para Caetité...
Por trás da vinda chinesa
Quem quer saiba dos bastidores da visita da comitiva poderá
afirmar que foi, sem sombra de dúvida, fruto do empenho direto do prefeito
Aldo. Não tivesse havido sua intercessão, e tudo teria sido “desviado” para
outra cidade que, todos sabemos, não produz um grama de ferro mas... como já
fez antes com o algodão, queria levar os louros da vitória.
Trazer os chineses é mais que um efeito simbólico: revela
que a cidade tem vontade política para não mais ficar a reboque. Mas já aqui
cumpre assinalar que ainda falta a Caetité um representante “seu”... Alguém
capaz de reunir as cidades vizinhas e que cultural e economicamente estão
ligadas à nossa gente e seus interesses (como Igaporã, Lagoa Real, Ibiassucê,
Tanque Novo) e se eleger deputado estadual: todos os que temos, quase sem
exceção, são cordiais forasteiros!
Ou estes “forasteiros” se unem para continuar a merecer
nossos votos, ou continuaremos a ter que “descer o morro” para coisas
elementares, e que muitas vezes encontram filas estupidamente programadas, como
no Detran...
Quem são, de fato, os chineses?
Vários dos representantes empresariais que aqui estiveram
pertenciam à CCCC. O nome é mais pomposo: China Communications Construction
Group. É uma estatal, no fim das contas. Seria como uma mega-hiper-Odebrecht,
com mais de cem mil empregados, e que apesar de ter “Communications” no nome
cuida mesmo é de construção civil. Talvez uma alternativa para tocar a Ferrovia
Oeste-Leste que a Valec parece engasgada a terminar? Ou outras obras na
infraestrutura que nossa região ainda é tão carente? Para termos ideia da
dimensão da empresa CCCC basta dizer que hoje é dona da John Holland Group, que era a maior construtora da Austrália, comprada por ela em 2015.
Os demais chineses são ligados à mineração do ferro. A própria Bamin, que estará diretamente envolvida na exploração do metal, é de propriedade deles.
O jeito chinês de fazer negócios
Engana-se quem ache ser uma estatal chinesa algo parecido
com as ineficientes e cheias de desvios estatais brasileiras. Lá, como bem
lembrou o vereador Zacarias Nogueira, quem é apanhado em ações “temerárias”,
paga bem caro... (sim, o “temerário” é uma lembrança a um certo governante de
araque).
O “recado” foi dado no discurso do senhor embaixador: ao
falar de sua cidade natal, ele deixou claro que ela somente se desenvolveu
quando criou condições favoráveis para que uma grande empresa ali fosse se
instalar. Isto, aliás, é uma regra para grandes investimentos... O tamanho
dessas “condições” é que bons negociadores de ambos os lados conseguirão
delimitar. E mais que nunca as cidades vizinhas precisam somar forças com
Caetité...
Um último recado chinês foi bem-humorado. O vice-governador
quis brincar, dizendo que a mistura de baiano com chinês resultará em
“baichin”. O embaixador não levou essa para casa, e devolveu: nomeou João Leão
o primeiro “baichin” da história...
Assim é um “negócio da China”, eles não vieram para perder.
Caetité e região, também não. Tomara que seja assim.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
A Renova e seu revertério
A Renova Energia representou para Caetité um importante momento de sua história em matéria de investimentos eólicos. Parecia algo sólido que, de repente, sumiu no vento! Mas... O que causou isso?
As notícias disponíveis não são muitas. Sabe-se ter a
agência Reuters divulgado que, numa reunião com acionistas em agosto de 2016, a
direção da empresa comunicara que deixaria de investir R$ 4 bilhões, além de
procurar “reduzir o portfólio” de investimentos à sua “real capacidade de
pagamento”... (que era nenhuma).
Ou seja, não ia apenas deixar de gastar: ia parar de fazer
qualquer coisa. Uma situação que é de difícil compreensão, já que toda energia
que ela gera já estaria embutida em nossas contas de luz; a grana continua a
entrar.
Ainda assim a Renova estava afundada em dívidas. Controlada
pela empresa de Minas Gerais Cemig, a solução que encontraram no começo de 2017
foi mesmo a venda do Parque Eólico Alto Sertão II. Se tudo der certo, o Parque pertencerá
a uma empresa da terra de Donald Trump, a AES.
Depois de vários anos
reinando absoluta no cenário caetiteense, a Renova começa a ir embora.
Muitos não vão chorar, é verdade. Especialmente os
comerciantes que sofreram calote das empresas terceirizadas (melhor dizendo,
“de fachada”) que volta e meia enchiam a “terra de Anísio Teixeira” de
bolivianos. Mas no geral a empresa tinha uma política de ação local muito
melhor que a grande maioria: contratava mão-de-obra da região, procurava meios
de contrapartidas... (menos, claro, e todas elas parecem estar no mesmo patamar
– na compensação ambiental, já que invariavelmente ocupam áreas de proteção
permanente nos topos dos morros e não vemos árvores crescendo por Caetité em
razão delas).
O certo é que no dia 22 de fevereiro de 2017 suas açõesvaliam R$ 5,84. Em junho do ano passado custavam quase R$ 20,00... Uma queda
brutal de cerca de 70%... Mais uma vítima da Síndrome de Eike Batista?
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
Os quinze da Câmara
Pois, pela primeira vez na história a Câmara de Vereadores
de Caetité teve início dos trabalhos com quinze integrantes. Outra novidade
foi a presença da “minoria”, com o
representante da terceira corrente da cidade. E novidade foi também o panfleto que
foi distribuído...
A noite de 20 de fevereiro começou com uma forte chuva de
verão. Talvez isto tenha espantado o público que costumeiramente comparece à
Câmara de Vereadores – o que não impediu uma razoável plateia estar ali
presente.
A classe política caetiteense estava lá: o ex-prefeito Zé
Barreira e o atual, Aldo Gondim. O candidato da “terceira via”, Valtécio Aguiar
e a presença espiritual da professora Luciete Bastos, que fez distribuir um
panfleto onde deixou claro que está “de olho” nos trabalhos ali desempenhados,
ao desejar o sucesso dos edis: “rogando a Deus que ilumine vossos mandatos para
que a população não sofra as consequências da indiferença e da invisibilidade”,
escreveu.
A situação mantém uma bancada de larga folga, com dez
vereadores – ou seja, dois terços dos votos ali presentes. O Presidente da Casa,
para o biênio 2017-2018 é Arual Rachid que, em sua fala, lembrou o pai Eudes
José dos Santos, falecido há menos de um ano – e que também já presidira a Casa, numa
tradição política começada pelo seu avô Ambrozino dos Santos, morto no começo
da década de 1970.
O prefeito municipal falou de suas ideias para o mandato, realçando a necessidade de saneamento básico na sede: realmente um problema que segue sem solução há décadas e, com o crescimento vertiginoso da urbe, ainda está longe de se tornar realidade (foram várias licitações, ao que sabemos, sem que nenhuma empresa se interessasse dada a dificuldade do terreno sobre o qual Caetité cresceu). Não será fácil...
Os vereadores se sucederam nos discursos inaugurais. O destaque vai para o Jairo Fraga que, em seu primeiro mandato em Caetité, lembrou que já fora vereador antes, em Minas Gerais; Mário Rebouças e Zacarias falaram do momento pelo qual o Brasil atravessa, e o primeiro ressaltou que aquela tribuna será o meio que usará para as lutas pelos direitos que estão a ser ameaçados nas ações do governo federal.
Nem de Dácio é o vereador com maior tempo de casa, e usou
essa experiência em sua fala, tanto para realçar os feitos do passado quanto
para os desafios dos tempos difíceis que o país atravessa, com foco na criação
de postos de trabalho na cidade.
Outro iniciante, Cura, não decepcionou na oratória, ele que
será a voz solitária do seu grupo.
Um erro histórico: alguém disse que a nossa Câmara foi uma
das primeiras do país. Está longe disto: temos câmaras de vereadores com mais
de 200 anos antes da nossa, e não foram poucas. Foi uma das primeiras, isto
sim, a reconhecer “na Bahia”, a independência do Brasil.
Uma crítica, ao final: a Câmara volta do recesso, mas já suspende os trabalhos para o Carnaval. Em tempos bicudos como estes, não é um bom exemplo...
A saga dos "Boa Sorte"
Mais um livro vem lançar luzes sobre a vida sertaneja, com a genealogia e biografias de membros da vasta e importante família Boa Sorte, que hoje tem descendentes por todo o Brasil, mas sobretudo em Riacho de Santana, Igaporã, Caetité e Guanambi - onde na última viceja nosso querido colega Hildevaldo Alves Boa Sorte.
Trata-se da obra "A Saga da Família Boa Sorte", escrita pelo José Boa Sorte Farias e publicada no final de 2016, em Feira de Santana. O autor nos brindou com a seguinte descrição: "...o Dr. André Koehne desfruta de considerável prestígio nos meios acadêmicos de Caetité, na condição de ilustre escritor nascido na cidade de Anísio Teixeira..." (um delicioso exagero, ao qual apenas agradecemos pela deferência).
O José, que nos deu a intimidade de chamá-lo Zezinho, fez uma longa pesquisa sobre seus laços familiares que tiveram origem na Fazenda Boa Sorte, no então distrito caetiteense do Bonito - hoje a cidade de Igaporã. Pois o Zezinho nos incumbiu da árdua mas prazerosa tarefa de biografar, resumidamente, nosso querido amigo Eutrópio Neves de Oliveira, que reproduziu na íntegra às páginas 180-182.
Aos pesquisadores das coisas do Alto Sertão, é mais uma fonte de informações. E aos leitores, vários exemplos de luta, de vida e de reconhecimento, a uma família que merecidamente agora tem um registro à altura.
Nota: aos interessados de Caetité na aquisição da obra, procurar o Agileno Alves Boa Sorte.
Trata-se da obra "A Saga da Família Boa Sorte", escrita pelo José Boa Sorte Farias e publicada no final de 2016, em Feira de Santana. O autor nos brindou com a seguinte descrição: "...o Dr. André Koehne desfruta de considerável prestígio nos meios acadêmicos de Caetité, na condição de ilustre escritor nascido na cidade de Anísio Teixeira..." (um delicioso exagero, ao qual apenas agradecemos pela deferência).
O José, que nos deu a intimidade de chamá-lo Zezinho, fez uma longa pesquisa sobre seus laços familiares que tiveram origem na Fazenda Boa Sorte, no então distrito caetiteense do Bonito - hoje a cidade de Igaporã. Pois o Zezinho nos incumbiu da árdua mas prazerosa tarefa de biografar, resumidamente, nosso querido amigo Eutrópio Neves de Oliveira, que reproduziu na íntegra às páginas 180-182.
Aos pesquisadores das coisas do Alto Sertão, é mais uma fonte de informações. E aos leitores, vários exemplos de luta, de vida e de reconhecimento, a uma família que merecidamente agora tem um registro à altura.
Nota: aos interessados de Caetité na aquisição da obra, procurar o Agileno Alves Boa Sorte.
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